24.6.07

A Noite

Ruas, desertas, solitárias...
As luzes da noite
Escondem-se...
Dão lugar ao triste sol,
Que nem acordou ainda.

E o nevoeiro desce,
Envolve-me em doces sonhos,
E prende-me à Terra...

E a vida esvai-se,
Como água límpida
Em que vejo minha face.

Mas, uma janela abre-se,
Um coração parte-se,
E lágrimas rolam.

E a noite, cruel,
Grava a cinzel,
Teu nome em minhas veias...

Os anjos cantam,
Por duas vidas unidas,
Para sempre despidas,
Eternamente se amam.

19.6.07

Adeus

Na rua fria, escura,
Olho o céu, incessantemente;
Procuro uma resposta pura,
Que me alegre somente.

Oh céu claro e bondoso,
Deixa-me passar por tua porta;
Vim de um momento piedoso,
Minha alma está já morta.

Os anjos gritam, choram
Por sentir tamanha dor;
Por sagradas preces pediram
Para voltar para meu amor.

Meu mundo ruiu, desabou,
Perdi tudo o que tinha.
Quando meu coração parou,
Quis que tua alma fosse minha.

Agora, tristemente, digo adeus,
Sinto a alma a morrer;
Choram os olhos meus,
E a batalha acabei de a perder.

Saudade

Voei.
Caí.
E amei.
E tremi.

Tudo girava...
Parecia tempestade;
Era eu que te amava
E chorava de saudade.

Lembrava de ti,
Olhando uma fotografia;
Jurei e prometi
Que por ti tudo faria.

A rosa do amor eu toquei,
Leve toque que magoou;
Com um toque eu chorei,
E minha alma sangrou.

A fotografia apagou-se,
Também o sangue derramado;
E digo adeus às lágrimas
Que por ti tenho chorado.

6.6.07

Até Amanhã!...

Palavras suaves,
Paixão sem entraves,
Olhares indiscretos...

Amor sem fronteiras,
Ultrapassa barreiras;
São amantes concretos...

Minha vida fugidia,
Já passou mais um dia
Cheio de receio e pavor...

E neste abraço amoroso,
Sinto o coração bondoso,
Para contigo, amor!

Digo adeus, até amanhã!
Pelo fresco da manhã,
Vou libertar minha dor...

2.6.07

Silêncio

A noite envolve-me
Em seu perfume,
Trava-me em seu silêncio...

Silêncio cruel,
Gravaste-me a cinzel
Essa palavra luzente;

Dita com fervura,
Meu amor, minha ternura
Abraça-me, estou carente...

E este céu cinzento,
Negro, sedento,
Pede-me a alma, loucura.

E minha alma sombria,
Petrificada, fria,
Entrega-se à sepultura.