Ruas, desertas, solitárias...
As luzes da noite
Escondem-se...
Dão lugar ao triste sol,
Que nem acordou ainda.
E o nevoeiro desce,
Envolve-me em doces sonhos,
E prende-me à Terra...
E a vida esvai-se,
Como água límpida
Em que vejo minha face.
Mas, uma janela abre-se,
Um coração parte-se,
E lágrimas rolam.
E a noite, cruel,
Grava a cinzel,
Teu nome em minhas veias...
Os anjos cantam,
Por duas vidas unidas,
Para sempre despidas,
Eternamente se amam.
Na rua fria, escura,
Olho o céu, incessantemente;
Procuro uma resposta pura,
Que me alegre somente.
Oh céu claro e bondoso,
Deixa-me passar por tua porta;
Vim de um momento piedoso,
Minha alma está já morta.
Os anjos gritam, choram
Por sentir tamanha dor;
Por sagradas preces pediram
Para voltar para meu amor.
Meu mundo ruiu, desabou,
Perdi tudo o que tinha.
Quando meu coração parou,
Quis que tua alma fosse minha.
Agora, tristemente, digo adeus,
Sinto a alma a morrer;
Choram os olhos meus,
E a batalha acabei de a perder.
Voei.
Caí.
E amei.
E tremi.
Tudo girava...
Parecia tempestade;
Era eu que te amava
E chorava de saudade.
Lembrava de ti,
Olhando uma fotografia;
Jurei e prometi
Que por ti tudo faria.
A rosa do amor eu toquei,
Leve toque que magoou;
Com um toque eu chorei,
E minha alma sangrou.
A fotografia apagou-se,
Também o sangue derramado;
E digo adeus às lágrimas
Que por ti tenho chorado.
Palavras suaves,
Paixão sem entraves,
Olhares indiscretos...
Amor sem fronteiras,
Ultrapassa barreiras;
São amantes concretos...
Minha vida fugidia,
Já passou mais um dia
Cheio de receio e pavor...
E neste abraço amoroso,
Sinto o coração bondoso,
Para contigo, amor!
Digo adeus, até amanhã!
Pelo fresco da manhã,
Vou libertar minha dor...
A noite envolve-me
Em seu perfume,
Trava-me em seu silêncio...
Silêncio cruel,
Gravaste-me a cinzel
Essa palavra luzente;
Dita com fervura,
Meu amor, minha ternura
Abraça-me, estou carente...
E este céu cinzento,
Negro, sedento,
Pede-me a alma, loucura.
E minha alma sombria,
Petrificada, fria,
Entrega-se à sepultura.